Aywan Gonçalo Marques da Silva
No passado, à medida que a civilização avançava, a necessidade da criação de uma maneira de transmitir conhecimento se tornou aparente, a comunicação falada não era mais capaz de reter todas as informações e organizar todos os recursos, “ Uma teoria sustenta que a origem da linguagem visual surgiu da necessidade de identificar o conteúdo de sacas e recipientes de cerâmica usados para armazenar alimentos” (MEGGS, 2009, p. 21).
Dito isso, “A invenção da tipografia pode ser classificada ao lado da criação da escrita como um dos avanços mais importantes da civilização” (MEGGS, 2009, p. 90) por que resolveu um dos maiores problemas da época, nenhum conhecimento considerado relevante seria esquecido tão facilmente, permitindo a formação e desenvolvimento de sociedades e civilizações cada vez mais avançadas
No entanto, a escrita, e a própria superfície em que ela é gravada também passaram por um processo evolutivo, inicialmente feitos em argila e com um estilete de junco na mesopotâmia, até chegar no papel utilizado hoje em dia.
Uma tabuleta de Argila
Fonte : História do Design Gráfico, 2009
Com isso, e em adição do uso da escrita para a disseminação de leis, impostos, dentre outros, é evidente a importância da escrita para a humanidade.
Mas, apesar de apresentar uma solução relativamente simples para o armazenamento e processamento de informação, a escrita não era uma habilidade tão comum, “Jovens escolhidos para tornar-se escribas começavam sua escolarização na edubba, a escola de escrita ou ‘casa de tabuletas’, antes de completar dez anos de idade” (MEGGS, 2009, p.22)
A xilografia, uma técnica de impressão que utiliza uma superfície de madeira em relevo, originária da Ásia, foi uma das primeira técnicas à chegar na Europa, em tempo de necessidade, inicialmente, no entanto, a impressão em relevo com blocos de madeira foi utilizada em baralhos e para fazer a estampagem de símbolos religiosos, mesmo com a enorme demanda por livros, advinda da classe média e de estudiosos, e com a introdução da impressão em relevo, a oferta ainda era baixa, “O processo lento e dispendioso da produção de livros havia mudado pouco em um milênio” (MEGGS, 2009, p. 91), tornando livros objetos valiosos, disponíveis apenas para as pessoas abastadas ou que fizessem parte de uma instituição educacional, que também era praticamente exclusivo à classe alta. “Em 1424, havia apenas 122 livros manuscritos na biblioteca da Universidade de Cambridge” (MEGGS, 2009, p. 91).
Apenas em meados do século XIV, a impressão com tipos móveis, ou seja, que poderiam ser reutilizados, foi criada pelo alemão Johannes Gutenberg. A impressão com tipos móveis propôs um método de impressão capaz de produzir livros sem diferença entre si, seja nos tipos ou no espaçamento, tudo seria igual, bem como, acelerar o processo, já que não seria necessário criar tipos novos.
Nesse momento da história a impressão começou a demonstrar um de seus pontos principais, a capacidade de oferecer a todo leitor a mesma experiência.
Ainda assim, a máquina de Gutenberg não foi o único avanço da impressão no século XIV, as primeiras gravuras em cobre também foram criadas nesse período, sendo o autor, conhecido por “mestre do baralho”.
Impressão em cobre
Fonte: História do Design Gráfico, 2009
Nos tempos modernos, a impressão se tornou extremamente necessária. Algumas de suas funções são correlacionadas com a escrita e referentes às suas funções iniciais, como a gestão de bens, o acompanhamento e organização de impostos, a disseminação de leis.
Além de colaborar com a expansão de funções relativamente mais recentes, como suprir a grandes demandas e abastecer o mercado literário em escala muito maior, providenciando, idealmente, educação e informação livre.
Acrescido desses fatos, a impressão também se apresenta em uma escala maior no meio industrial, a impressão de estampas e gravuras sendo exemplos. A impressão atual ajuda a expandir mercados, alcançando pessoas ao redor do mundo e fornecendo-as experiências iguais.
A impressão também se tornou muito mais acessível, na atualidade, gráficas possuem equipamentos mais fáceis de manusear e, para aqueles que estão dispostos a fazer o investimento, uma impressora moderna pode não ter um custo tão elevado. Sendo assim, a impressão é inevitavelmente parte do dia a dia da nossa sociedade atual.
Em contrapartida, isso não significa que todos os outros métodos anteriores caem em desuso, a litografia e a cromolitografia, por exemplo, apesar de terem cerca de 200 anos, ainda são utilizadas para alguns projetos, exibindo resultados que podem ser inalcançáveis com outras técnicas.
Mesmo as máquinas de impressão antepassadas, muitas tão antigas que não possuem mais instruções ou relatos de como se operar corretamente, são utilizadas para estudo ou exibição em museu, afinal, a escrita e a impressão são parte integral da nossa história como civilização.
Figura formada por meio da litografia
Fonte: HiSoUR Arte Cultura Exposição
Mas, a tendência é sempre continuar em frente, e evoluir seus métodos, a chegada da internet e a capacidade de ler tudo em uma tela, proporcionando, como a impressão atual faz, a mesma experiência.
Sem o negativo do gasto de papel, e com o positivo da capacidade de guardar toda essa informação em um servidor ou na nuvem, torna a internet, pelo menos no que se refere à livros e documentos, bem como qualquer informação que deve ser transmitida no futuro, imagem ou texto, uma alternativa viável a impressão tradicional.
É claro, a impressão provavelmente nunca seria abandonada, mas, durante os séculos, ela evoluiu muito, desde as técnicas de xilogravura até às impressoras atuais, a tendência sempre foi facilitar e melhorar o trabalho enquanto mantinha o máximo de qualidade. Assim como vimos no crescimento astronômico da mecanização, onde existem hoje linhas de produção cem por cento, ou perto da totalidade, mecanizadas, não é impossível que, ironicamente, o futuro da impressão não seja no papel.
Em conclusão, a história da impressão é longa e grandemente conectada com a história da humanidade nos últimos séculos, é debatível se o ser humano seria capaz de chegar ao ponto atual sem a existência da impressão, pois a sua presença é responsável por muitos luxos de hoje. Em 1424 na biblioteca da universidade de Cambridge haviam 122 livros manuscritos, hoje, de acordo com o jornal da globo, há mais de 8 milhões, incluindo a bíblia de Gutenberg.
Referências:
MEGGS, Philip B. História do Design Gráfico. 1. ed. São Paulo: Cosac & Naify, 2009
Texto desenvolvido por Aywan Gonçalo Marques da Silva para a disciplina Introdução ao Estudo do Design – Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Departamento de Design – Fevereiro de 2022. O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof. Rodrigo Boufleur (http://estudossobredesign.blogspot.com).